quinta-feira, 15 de abril de 2010

Informática, a melhora que piora

A informática é o bicho. Adianta barbaridade o expediente, mas quando atrapalha, é pra valer. É o caso, nowadays. (A expressão veio, e como meus leitores são imaginários, permito-me). Estamos sem receber e-mail há três dias, decorrência de uma "melhora" no sistema. Quando ouço que o pessoal da informátiva vai "melhorar o sistema" tenho urticária. Nos quase nove anos de Famato, as melhoras só fizeram piorar. Antes, os computadores se comunicavam; hoje tenho que passar e-mail para o colega ao lado ou seguir um caminho que quase sempre se apresenta com problemas.
Quantas e quantas vezes já aconteceu de perdermos muito conteúdo nessas "melhoras", também como é o caso agora. Disseram que, provavelmente, os e-mails endereçados à redação nos últimos dias não serão entregues. Legal. Já perdemos edições inteiras da revista - que estavam arquivadas no computador e, descuido do diagramador, sem back up. Já perdemos para sempre o site da revista: em outra "melhora", desconfiguraram os mecanismos do site e nunca mais. Hoje, quase cinco anos depois, tivemos uma reunião para fazer o novo site da revista - com outro pessoal.
Não sei - realmente - se é incompetência ou se o negócio da informática é assim muito complicado mesmo. O que me parece é que existe uma paranóia na proteção de documentos que acaba gerando essas "melhoras" para pior. São garotos brincando de espionagem? Não sei, não. Mas que não podia acontecer, não podia. O que perdemos de material, nessas "melhoras", custa muito mais do que elas representaram de bom - coisa que, sinceramente, ainda não vi.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pelo PT, vote Serra

O PT, tal qual o concebemos, acabou, ficou na poeira da História. Mas os ideais permanecem. Justiça social, redução drástica da distância entre ricos e pobres, fim da impunidade para crimes de colarinho branco, rigor extremo contra a corrupção, democracia participativa, liberdade, ética.
Hoje, quem tem condições de empunhar essas bandeiras? Nenhum partido, nenhum candidato. Fica a esperança, para Mato Grosso, de elegermos Pedro Taques, cujo trabalho à frente do Ministério Público Federal foi brilhante, ao Senado. Mas só. O resto é o resto. Restolho, melhor dizendo. E mesmo Taques, por enquanto, é uma promessa. Quantas não tivemos antes, e nos decepcionamos depois?
Pois estou defendendo a seguinte tese: para manter acesa a chama do PT, devemos eleger Serra. Primeiro, pra desalojar muita gente de segunda que embarcou no poder e agora se acha. Comete falcatruas, rouba, favorece, prevarica. Culpa do Lula? Médio. Culpa do PT? Total. Primeiro, porque não cuidou direito das nomeações, abriu espaço para picaretas, aprendizes de feiticeiros. Segundo, porque a cúpula se corrompeu, entregou-se aos prazeres do poder, demonstrou que faltava estofo para assumir o comando do país.
Depois, é preciso alternância no poder, e se for com gente da social-democracia, tanto melhor. PT e PSDB - irmãos siameses - vão querer mostrar quem pode mais. Veja o mote do Serra: "O Brasil pode mais". Essa é uma boa briga, que favorece o país, sem cair num conservadorismo nefasto. O PMDB, com a vitória de Dilma, vai ocupar espaços ainda maiores e tudo de ruim que acontece ao país se multiplicará. Já o DEM, principalmente se o PSDB vier com chapa pura, com Aécio, ficará ainda mais esquálido, ganhará no máximo migalhas para não morrer de inanição - embora seja esse o seu glorioso destino.
Daí minha campanha: para salvar o PT, petistas de corpo e alma, votem Serra. E vamos aproveitar os próximos oito anos para lavar roupa suja, expurgar os gatunos e avançar rumo a novas configurações sociais, ambientais, culturais.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um dia lindo

Fazia tempo que não via um dia tão bonito. Acordei cedinho e pude ver o sol nascente batendo nos andares mais altos dos prédios que avisto do apartamento do 4o andar. O céu estava translúcido, as sombras ainda cobriam as casas térreas, o clima era de quase frio. Que Cuiabá tem dias bonitos, tem, mas hoje, no aniversário da cidade, tudo colaborou para que ficasse registrado como um dia belíssimo. O por do sol foi chocante. Uma barra vermelha se formou no horizonte, por detrás dos mesmos prédios que de manhã o sol nascente iluminava;com o avanço da noite, ficaram na contra-luz, silhuetas escuras com pontos de luz sob o céu quase negro.
Da minha janela vi o dia nascer e morrer.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Amigos

Tenho pensado muito nos amigos. Deve ser saudade. Tenho muito poucos, porém são grandes amigos. Para mim. Eu, para eles, devo ser um ingrato que não os procura, não dá notícias e quando os encontra, faz de conta que o tempo não passou e por isso não demonstra enorme satisfação. É que para mim não muda nada. Passa um ano, dois, cinco, o amigo permanece igual no meu pensamento. Devem pensar que eu não ligo a mínima para a vida deles.
Explico: tenho uma grande dificuldade de entrar em detalhes, tanto da minha vida quanto da alheia. Quando vejo um amigo, não fico especulando sobre os acontecimentos pessoais. Às vezes rola, mas raramente. Falamos de outras coisas, não de nós.
Mas sei que gosto muito dos meus amigos. São referências. Acompanho-os, de longe, no expediente dos jornais, revistas e programas de TV, nos releases de empresas, nos comentários de conhecidos comuns. Alguns nem sabem que são meus amigos, mas eu os considero. Outros, têm por mim um carinho tão grande que só muito tempo depois descubro que alguns caminhos que segui foram traçados por eles, sem alarde, sem aviso, sem cobrança.
Assim vou eu. Lembrando dos amigos, mas sem iniciativa de procurá-los. Às vezes penso que nosso encontro deve ser algo tramado por forças superiores, e é assim que muitas vezes acontece. É assim que vejo meus amigos: como uma trama do universo.
Hoje estava pensando em como estou afastado do bla bla bla da política, onde, em outros tempos, costumava estar; cheguei à conclusão que ali não encontrarei ninguém de quem um dia possa ser amigo, e o melhor é ficar longe mesmo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Triste fim

De novo - o tempo passa. Mas vamos aos fatos. Com a desincompatibilização dos candidatos à presidência - vou me ater a eles - está armada uma guerra fratricida que fará muito mal ao Brasil. Explico: Serra e Dilma, PT e PSDB, são como irmãos brigados; falam mal um do outro mas se reconhecem. Disputam o poder, dão chute na canela, mas não avançam no pescoço.

Esta campanha que se inicia pode levar a gestos mais violentos. A divisão meio a meio do eleitorado, a esta altura, faz prever uma disputa acirradíssima, em que, lá pelas tantas, alguém irá ultrapassar o limite do razoável. Não propriamente o candidato, mas as tropas reunidas em torno de um e outro nome. Aí é que mora o perigo. Ultrapassado este limite, após a eleição, ganhe quem ganhar, restará um campo de batalha conflagrado em que coiotes e hienas - leia-se DEM e PMDB (et caterva) - disputarão palmo a palmo as carnes dilaceradas do regime democrático. Não para pensá-las, mas para abocanhar espaços de poder. Coiotes e hienas, covardes, não se enfrentam jamais - apenas dividem, na calada da noite, os nacos do butim. Triste fim de um projeto que, em 16 anos de governo democrático - em que pesem acusações de vendilhões da pátria para os tucanos e mensaleiros para os petistas - deu esperanças para o povo brasileiro.